# Alegações Finais Substitutivas de Memórias Orais
_Modelo de Petição de Alegações Finais Escritas na esfera Criminal, utilizada pela defesa para buscar a absolvição do acusado ({NOME_PARTE_ACUSADA}) denunciado pelo crime de receptação qualificada (art. 180, § 1º, do CP). Os argumentos centrais defendem a ausência de habitualidade comercial e a falta de prova do crime antecedente, pleiteando, subsidiariamente, a desclassificação para receptação culposa ou para o crime de favorecimento real com remessa ao Juizado Especial Criminal._
## Endereçamento e Qualificação
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA {NUMERO_VARA}ª VARA CRIMINAL DE {CIDADE_ESTADO}
**Autor:** Ministério Público Estadual
**Acusado:** {NOME_PARTE_ACUSADA}
**Processo nº.:** {NUMERO_DO_PROCESSO}
## Preâmbulo e Fundamento Legal
Intermediado por seu advogado, inscrito na OAB/{ESTADO} sob o nº. {NUMERO_OAB}, comparece o Réu para, na forma do art. 394, §§ 2º e 5º e art. 403, § 3º, do Código de Processo Penal, tempestivamente, oferecer suas
## ALEGAÇÕES FINAIS SUBSTITUTIVAS DE MEMORIAS ORAIS
quanto à pretensão condenatória ostentada em desfavor de {NOME_PARTE_ACUSADA}, já qualificado na exordial da peça acusatória, consoante abaixo delineado.
## 1 - Síntese dos Fatos
### 1 - Síntese dos Fatos
Extrai-se do relato fático contido na peça acusatória que no dia {DIA_APREENSÃO} de novembro do ano de {ANO_APREENSÃO}, por volta das 21:00h, policiais foram à empresa do Denunciado, denominada de {NOME_DA_EMPRESA}. Para o Ministério Público, esse era, na verdade, ponto de venda de drogas.
Segundo constam dos autos, na data mencionada, munidos de Mandado de Busca e Apreensão, os policiais deram início à operação, abordando, além da empresa do Acusado, a própria residência do mesmo.
Na oportunidade não fora localizada nenhuma droga ilícita, muito embora fossem apreendidos os seguintes bens na empresa do Acusado:
* 1 (um) cordão de ouro de 18 kilates;
* 1 (um) toca-CD marca JVC;
* 1 (uma) máquina fotográfica marca Kodak, modelo 000, nr. 113344.
Segundo ainda a acusação, esses objetos eram originários de roubos e furtos, porquanto o Acusado era velho conhecido como comprador de objetos produtos de crimes.
Diante disso, foi levado à Delegacia Especializada e atuado em flagrante delito pela prática do crime previsto no art. 180, § 1º, do Código Penal (Receptação qualificada). Ali chegando, questionado sobre os comprovantes da aquisição dos referidos bens, os mesmos não foram apresentados à Autoridade Policial.
Assim procedendo, diz a denúncia, o Acusado violou norma prevista no Código Penal (CP, art. 180, § 1º), praticando o crime de receptação qualificada. Para o Ministério Público aquele tinha em depósito, em estabelecimento comercial de sua titularidade, em proveito próprio, coisa que deveria saber ser produto de crime, incorrendo, efetivamente, na estreita descrição do tipo penal supramencionado.
Recebida a peça acusatória por este Magistrado em {DATA_RECEBIMENTO_PECA} (fls. 79), foram ouvidas as testemunhas de acusação (fls. 111/114 e 117/119), bem como da defesa (fls. 120/127), assim como procedido o interrogatório do ora Acusado (fl. 129/133).
Diante da complexidade das provas produzidas neste processo, foi concedido às partes o oferecimento de memoriais escritos, os quais ora apresenta-se.
### 2.1. Inexistência da figura da habitualidade – Ausência de nexo entre as atividades evidenciadas
### 2 - Necessária Absolvição (CPP, art. 386, incs. III, IV ou VII)
#### 2.1. Inexistência da figura da habitualidade – Ausência de nexo entre as atividades evidenciadas
O âmago da defesa se propagou pela visão de saber se o Acusado, mediante a conduta de ter consigo, em seu estabelecimento comercial, bens sem notas fiscais de origem, representa o crime de receptação qualificada.
Primeiramente, é apropriado que tracemos considerações acerca do crime de receptação, na modalidade fundamental, apurando-se, sobretudo, o núcleo do tipo penal em espécie.
Consoante as lições de **Rogério Greco**, estipulando considerações genéricas acerca do crime de receptação, esse leciona que, *verbatim*:
> “O crime de receptação encontra-se no rol dos delitos mais praticados pela nossa sociedade, variando desde a aquisição de pequenos produtos vendidos por camelôs e ambulantes até as mais impressões, cometidas por grandes empresas, que adquirem carregamentos inteiros de mercadorias, roubadas, quase sempre, durante o seu transporte rodoviário.
>
> (...)
>
> A modalidade fundamental de receptação, como não poderia deixar de ser, encontra-se no *caput* do art. 180 do Código Penal. Em seu § 1º foi prevista a receptação qualificada. Houve, também, previsão da chamada receptação culposa, conforme se deduz do § 3º do mencionado art. 180.
>
> Assim, podemos destacar, de acordo com os dispositivos legais citados, três modalidades de receptação: a) simples; b) qualificada; c) culposa.
>
> Dessa forma, nos termos do preceito secundário do art. 180, o Código Penal comina pena de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, para aquele que adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte.
>
> Podemos visualizar no *caput* do art. 180 do Código Penal duas espécies de receptação, a saber: a) própria; b) imprópria.
>
> Diz-se própria a receptação quando a conduta do agente se amolda a um dos comportamentos previstos na primeira parte do *caput* do art. 180 do Código Penal, vale dizer, quando o agente: adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime.
>
> (...)
>
> Denomina-se imprópria a receptação quando o agente leva a efeito o comportamento previsto na segunda parte do *caput* do art. 180 do Código Penal, ou seja, quando influi para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte.”
Igualmente pensa **Cléber Masson**, e ora faz sustentações introdutórias acerca do crime em debate, *verbo ad verbum*:
> “A receptação é um crime acessório, de fusão ou parasitário, pois não tem existência autônoma, reclamando a prática de um delito anterior. O tipo penal é claro nesse sentido: a coisa deve ser ‘produto de crime’. Em síntese, não é qualquer coisa de natureza ilícita que enseja a receptação, mas apenas aquela de origem criminosa.
>
> (...)
>
> 2.10.1.5.8. Sujeito ativo
>
> Pode ser qualquer pessoa (crime comum), com exceção do autor, coautor ou partícipe do crime antecedente, que somente respondem por tal delito, e não pela receptação [ ... ]” (sublinhamos)
Por outro ângulo, **Cezar Roberto Bitencourt** assevera, com a clareza habitual, que o crime de receptação, antes de tudo, reclama o intuito de proveito do sujeito ativo do crime, quando assim destaca, *ad litteram*:
> “Por isso, qualquer das condutas descritas praticadas pelo sujeito ativo devem, necessariamente, ter como objetivo a obtenção de proveito, para si ou para outrem; em outros termos, o agente deve agir com *animus lucrandi* [ ... ]” (negritamos)
E, mais, quanto ao dolo e a habitualidade na prática do referido delito (qualificado), assim disserta **Cleber Masson**:
> “A receptação qualificada do § 1º do art. 180 do Código Penal, por seu turno, é crime próprio, ou especial, pois o tipo penal reclama uma situação diferenciada em relação ao sujeito ativo. Com efeito, o delito somente pode ser cometido pela pessoa que se encontra no exercício de atividade comercial ou industrial.
>
> (...)
>
> Cumpre destacar, porém, que a incidência da qualificadora reclama habitualidade no desempenho do comércio ou da indústria pelo sujeito ativo, pois é sabido que a atividade comercial (em sentido amplo) não se aperfeiçoa com um único ato, sem continuidade no tempo.” (Ob. aut., cits., pág. 643). (destacamos)
Por seu turno, mas no mesmo sentido das linhas supra levantadas, discorre **Cezar Roberto Bitencourt** que, *verbatim*:
> “Com efeito, o tipo descrito no *caput* do art. 180 retrata um crime comum (que pode ser praticado por qualquer pessoa), enquanto a descrição contida no § 1º configura crime próprio, que exige uma qualidade especial do sujeito ativo, no caso, que se trate de comerciante ou industrial, e mais: que a conduta criminosa seja praticada ‘no exercício da atividade’ profissional, mesmo que exercida irregular ou clandestinamente. Essa mudança da espécie do tipo penal – de comum para especial --, acrescida da exigência de que qualquer das condutas constantes do enunciado típico deve ser praticada no exercício de ‘atividade comercial ou industrial’...” (Ob. aut., cits., pág. 365). (destacamos)
Quando ao dolo, obtempera **Julio Fabrini Mirabete**, *verbatim*:
> “O tipo objetivo é o dolo, ou seja, a vontade dirigida à prática de uma das condutas previstas no tipo. É indispensável, porém, o elemento subjetivo do tipo registrado na expressão ‘deve saber ser produto de crime’, que não significa a necessidade de que o agente ‘saiba’ dessa circunstância (caso contrário a lei teria repetido a expressão contida no *caput* do art. 180). Basta, portanto, para a caracterização do ilícito, a comprovação de que o agente, em decorrência das circunstâncias do fato, tinha todas as condições para proceder saber da procedência ilícita da res adquirida, recebida, etc. A expressão trata, na verdade, de uma regra probatória, de uma presunção legal, de que o agente, diante das circunstâncias do fato, não poderia desconhecer a origem espúria da coisa, tendo agido com dolo. Se não se entender, inscrevendo-se no artigo também a forma culposa, deve-se o princípio da redução teleológica da pena, aplicando-se apenamento previsto para o tipo descrito no *caput* do art. 180.” (( Ob. aut., cits., pág. 327). (negritamos)
Ora, o verdadeiro quadro fático ocorrido, contrariamente ao que fora estatuído pelo *Parquet* em sua inaugural, diverge frontalmente da tipificação penal almejada por esse. Há de existir, sim, a absolvição do Acusado, segundo sustentado nas notas doutrinárias supra-aludidas, do contexto de depoimentos expostos na fase extraprocessual e, mais, dos julgados que se seguirão.
Comprovou-se que o Acusado não exerce qualquer atividade comercial compatível com a venda dos produtos apreendidos no auto de apreensão, acima descritos. Não existe nexo de causalidade com a ilicitude em comento. Em verdade, o mesmo, como afirmado na denúncia ora guerreada, detém um lava-jato. Aliás, bem conhecida nesta cidade. Desse modo, jamais o Acusado exercera em continuidade ou habitualidade a mercancia atinente aos produtos apreendidos, os quais imputados ao Acusado a título de receptação. Não há, destarte, qualquer compatibilidade entre os bens apreendidos e a atividade desenvolvida, repise-se e, ademais, fora o único ato isolado.
A propósito, a testemunha Francisco de Tal (fls. 156), em depoimento perante este Juízo, destacou que:
“Que, sabe que o Réu exerce apenas o trabalho através de seu lava-jato; Que, não existe outro tipo de comércio e/ou prestação de serviços que não o de lava-jato; Que, ao que saiba, o Réu tem tal comércio há mais de 8 anos; Que, não existe qualquer relação na venda dos produtos apreendidos na empresa do Réu;”
Nesse passo, é altamente ilustrativo transcrever os seguintes arestos:
**PRESCRIÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. CONDUTA TIPIFICADA NO ART. 180, §3º, DO CÓDIGO PENAL. ABSOLVIÇÃO. POSSE DE ARMA E MUNIÇÕES DE USO PERMITIDO. CONDUTA TIPIFICADA NO ART. 12, DA LEI Nº 10.826/03. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS.**
Nos termos do que dispõe o art. 110, § 1º do Código Penal, alterado pela Lei nº 12.234/2010, a prescrição somente pode ser reconhecida se decorrido o prazo estabelecido no art. 109 do Código Penal entre o recebimento da Denúncia e a publicação da sentença penal condenatória (retroativa) ou se decorrido aquele mesmo prazo entre a publicação da sentença condenatória até a presente data (superveniente). Não superados os referidos prazos, impossível admitir a prescrição. Se a prova vertida nos autos não admite concluir que o réu tinha ciência da origem ilícita da coisa receptada ou que deveria presumir tal fato, impõe-se a aplicação do princípio do *in dubio pro reo* e, por conseguinte, a absolvição do agente quanto ao delito previsto no art. 180, §3º, do Código Penal. A simples conduta de possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamenta, no interior de sua residência ou dependência desta, é suficiente para a configuração do delito previsto no art. 12, da Lei nº 10.826/03. Desta forma, impossível o acolhimento da pretensão absolutória quando a materialidade e a autoria delitivas do delito de posse irregular de arma de fogo de uso permitido se encontram fartamente comprovadas nos autos, não havendo nenhuma causa de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade [ ... ]
**QUADRILHA OU BANDO. FURTO QUALIFICADO. CONCURSO DE PESSOAS. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COMERCIAL. RECURSOS MINISTERIAL E DEFENSIVOS.** 1. Preliminar defensiva de nulidade da revelia decretada. Rejeitada. O apelante abel foi citado pessoalmente e interrogado no início da instrução criminal, como determinava o procedimento vigente à época, mas não manteve o seu endereço atualizado nos autos, tendo mudado de residência para outro município sem comunicar o juízo, motivo pelo qual foi corretamente decretada a sua revelia. Preliminar rejeitada. 2. Mérito. Associação em quadrilha ou bando. Sentença absolutória. Recurso do ministério público. A prova colhida nos autos não demonstra de forma inequívoca a estabilidade e permanência do grupo, tampouco comprova o elemento subjetivo do tipo, consistente no dolo de praticar mais de um crime, de modo que não resta configurado o crime de associação em quadrilha, aqui em sua antiga redação. Apelo improvido. Sentença absolutória mantida, no ponto. 3. Mérito. Furto qualificado. Concurso de pessoas. Sentença condenatória. Recursos defensivos. Materialidade e autoria comprovados. Suficiência probatória. Depoimento de policiais. Meio válido de prova. A prova contida no feito autoriza a manutenção da sentença, a fim de condenar os apelantes abel, marcos Aurélio, adelmar, diogo e juliano pela prática do crime de furto, qualificado pelo concurso de pessoas, descrito na denúncia. Além da confissão por parte de um dos réus, as testemunhas de acusação também apontaram os denunciados como sendo os autores do delito em apreço, sendo os seus relatos coerentes e harmônicos no sentido de descrever a dinâmica do cometimento do delito, não prosperando as alegações defensivas de insuficiência de provas para a formação de um juízo de condenação. Ainda, os depoimentos dos policiais prestados em sede judicial são coerentes e corroborados pelos demais elementos de prova carreados nos autos, de modo a possibilitar a condenação dos acusados. No caso concreto, não há nenhuma razão para se desmerecer tais depoimentos, nem qualquer comprovação de predisposição dos agentes públicos de prejudicar os apelantes. Apelos improvidos. Sentença condenatória mantida, no ponto. 4. Mérito. Receptação qualificada. Exercício de atividade comercial. Sentença absolutória. Apelo ministerial. Os elementos de prova colhidos durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, não permitem a formação de um juízo de certeza em relação à tese acusatória. Assim, frente à carência de subsídios a atestar o efetivo envolvimento do apelado vilmar na conduta delitiva, impõe-se a manutenção da sentença absolutória, em atenção ao princípio do *in dubio pro reo*. Apelo improvido. Sentença absolutória mantida, no ponto. 5. Dosimetria. Recursos ministerial e defensivo. Reformada. No caso concreto, necessária a reforma, com a valoração negativa do vetor circunstâncias do fato em relação aos cinco condenados pelo fato II da denúncia, e com a valoração negativa do vetor culpabilidade em relação ao réu marcos Aurélio. Ainda, necessário afastar de ofício a incidência da agravante da reincidência em relação aos réus marcos Aurélio e juliano, pois não preenchidos os requisitos do art. 63 do CP. Penas privativas de liberdade readequadas, sendo mantidas as substituições por duas penas restritivas de direito, além da pena de multa, conforme fixado na sentença recorrida. Apelo defensivo improvido. Apelo ministerial provido em parte. Apelações defensivas não providas. Apelação ministerial parcialmente provida. (TJRS; APL 0429753-73.2013.8.21.7000; Proc 70057051260; São Borja; Oitava Câmara Criminal; Rel. Des. Felipe Keunecke de Oliveira; Julg. {DATA_JULGAMENTO}; DJERS {DATA_PUBLICACAO})
Ademais, toda narrativa colhida dos depoimentos insertos nestes fólios caminha para a inexistência um sequer que aponte que o {NOME_PARTE_ACUSADA} exercia a atividade de venda e compra dos bens apreendidos com habitualidade e continuidade.
A propósito, o próprio depoimento do Réu (fl. {NUMERO_DA_FL_DEPOIMENTO_REU}), já estabelece essa visão. Colhe-se que esse aduziu:
“Que, exerce a atividade de prestação de serviços no {NOME_DA_EMPRESA}, na qualidade de proprietário; Que, tem exerce essa atividade há mais de {TEMPO_DE_ATIVIDADE} anos; Que, não exerce outra atividade;”
Vejamos a previsão tipificada no Estatuto Repressivo:
**CÓDIGO PENAL**
Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:
(...)
**Receptação qualificada**
§ 1º Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
(...)
§ 2º Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
### 2.2. Inexistência do crime antecedente
#### 2.2. Inexistência do crime antecedente
Não bastasse isto, é consabido que o crime de receptação é parasitário do crime anterior. Por conta disso, exige perfeita demonstração, para que assim seja configurada, a prática de uma infração penal que o antecede.
A par dessas considerações, vejamos as lições **Cléber Masson** sobre o tema:
> “A receptação é um crime acessório, de fusão ou parasitário, pois não tem existência autônoma, reclamando a prática de um delito anterior. O tipo penal é claro nesse sentido: a coisa deve ser ‘produto de crime’. Em síntese, não é qualquer coisa de natureza ilícita que enseja a receptação, mas apenas aquela de origem criminosa.” (Ob e aut. cits., pág. 623)
Não discrepando dessa orientação, fixa **Luiz Regis Prado** que:
> “O primeiro pressuposto para a caracterização do presente delito é, portanto, a prova da existência de um crime anterior, que não necessita ser de natureza patrimonial [ ... ]”
A esse propósito vale salientar os seguintes julgados:
**APELAÇÃO. RECEPTAÇÃO. ART. 180, CAPUT, DO CP.**
Alegação de insuficiência de provas. Autoria e materialidade demonstradas. Pleito de desclassificação para receptação culposa. Possibilidade. Não restou claro o dolo do acusado. Impossibilidade de concessão do perdão judicial do art. 180, §5º, do CP. O valor do bem não é diminuto. Réu primário e portador de bons antecedentes, cabendo aplicação de multa somente. Recurso parcialmente provido [ ... ]
Na hipótese em vertente, segundo o quanto aludido absurdamente pelo órgão ministerial, os bens encontrados em poder do Acusado são oriundos do proveito da venda de drogas, do qual esse “é velho conhecido da polícia”.
Entretanto, inexistem quaisquer elementos suficientes para se concluir que tenham sido frutos de crime anterior, ou mesmo que o Acusado saiba sê-los. Dessa forma, ante à falta total de provas da origem ilícita dos bens apreendidos em poder do Réu, a absolvição é condição inarredável, nos termos do art. 386, inc. VII, do CPP.
## 3 - Pedido Subsidiário: Desclassificação para o Crime de Receptação Culposa (CP, art. 180, § 3º)
### 3 - Pedido Subsidiário: Desclassificação para o Crime de Receptação Culposa (CP, art. 180, § 3º)
O Acusado sustenta, veementemente, que a hipótese dos autos é de absolvição, sobretudo diante dos fundamentos retro evidenciados.
**( ... )**
Subsidiariamente, caso Vossa Excelência não entenda pela absolvição, pleiteia-se a desclassificação do crime de receptação qualificada para o crime de receptação culposa, com a consequente aplicação da pena prevista no art. 180, § 3º, do Código Penal.
Ademais, em face da ausência de dolo robusto, e considerando as circunstâncias da aquisição dos bens (preço compatível com o mercado para bens usados e local de venda em localidade não suspeita), caso não acolhida a tese absolutória, requer a desclassificação para a modalidade culposa.
Por fim, caso não acolhida a tese principal e a subsidiária, pleiteia-se a desclassificação do crime de receptação dolosa para o crime de favorecimento real, e, em face disto, por ser crime de menor potencial ofensivo (**art. 61, da Lei nr. 9.099/95**), requer-se a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal, o qual é competente (absoluta) para conduzir e sentenciar (**CPP, art. 383, § 2º**).
Isto posto, requer o recebimento das presentes Alegações Finais para que, ao final, seja o Acusado:
1. Absolvido, nos termos do art. 386, incisos III, IV ou VII, do CPP;
2. Subsidiariamente, caso não seja absolvido, seja desclassificada a conduta para o crime de receptação culposa (art. 180, § 3º, do CP);
3. Mais subsidiariamente, caso não acolhida a desclassificação para a forma culposa, seja desclassificada para o crime de favorecimento real, com remessa ao Juizado Especial Criminal.
## Encerramento
Nestes termos,
Pede deferimento.
{CIDADE_ESTADO}, {DATA_ATUALIZACAO_1}.
{NOME_AUTOR_PETICAO}
OAB/{ESTADO} {NUMERO_OAB}
## Jurisprudência e Metadados
## Características deste modelo de petição
**Área do Direito:** Penal
**Tipo de Petição:** Memoriais Criminais
**Número de páginas:** {NUMERO_PAGINAS_PETICAO}
**Última atualização:** {DATA_ULTIMA_ATUALIZACAO}
**Autor da petição:** {NOME_AUTOR_PETICAO}
**Ano da jurisprudência:** {ANO_JURISPRUDENCIA}
**Doutrina utilizada:** *Rogério Greco, Cleber Rogério Masson, Cezar Roberto Bitencourt, Julio Fabrini Mirabete*
**Histórico de atualizações**
* {DATA_ATUALIZACAO_1} - *Acrescidas notas de jurisprudência de {ANO_JURISPRUDENCIA_1}*
* {DATA_ATUALIZACAO_2} - *Inseridas notas de jurisprudência de {ANO_JURISPRUDENCIA_2}.*
* {DATA_ATUALIZACAO_3} - *Inseridas notas de jurisprudência do ano de {ANO_JURISPRUDENCIA_3}.*
* {DATA_ATUALIZACAO_4} - *...*
**Jurisprudência Atualizada desta Petição:**
**APELAÇÃO CRIME. QUADRILHA OU BANDO. FURTO QUALIFICADO. CONCURSO DE PESSOAS. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COMERCIAL. RECURSOS MINISTERIAL E DEFENSIVOS.** 1. Preliminar defensiva de nulidade da revelia decretada. Rejeitada. O apelante abel foi citado pessoalmente e interrogado no início da instrução criminal, como determinava o procedimento vigente à época, mas não manteve o seu endereço atualizado nos autos, tendo mudado de residência para outro município sem comunicar o juízo, motivo pelo qual foi corretamente decretada a sua revelia. Preliminar rejeitada. 2. Mérito. Associação em quadrilha ou bando. Sentença absolutória. Recurso do ministério público. A prova colhida nos autos não demonstra de forma inequívoca a estabilidade e permanência do grupo, tampouco comprova o elemento subjetivo do tipo, consistente no dolo de praticar mais de um crime, de modo que não resta configurado o crime de associação em quadrilha, aqui em sua antiga redação. Apelo improvido. Sentença absolutória mantida, no ponto. 3. Mérito. Furto qualificado. Concurso de pessoas. Sentença condenatória. Recursos defensivos. Materialidade e autoria comprovados. Suficiência probatória. Depoimento de policiais. Meio válido de prova. A prova contida no feito autoriza a manutenção da sentença, a fim de condenar os apelantes abel, marcos Aurélio, adelmar, diogo e juliano pela prática do crime de furto, qualificado pelo concurso de pessoas, descrito na denúncia. Além da confissão por parte de um dos réus, as testemunhas de acusação também apontaram os denunciados como sendo os autores do delito em apreço, sendo os seus relatos coerentes e harmônicos no sentido de descrever a dinâmica do cometimento do delito, não prosperando as alegações defensivas de insuficiência de provas para a formação de um juízo de condenação. Ainda, os depoimentos dos policiais prestados em sede judicial são coerentes e corroborados pelos demais elementos de prova carreados nos autos, de modo a possibilitar a condenação dos acusados. No caso concreto, não há nenhuma razão para se desmerecer tais depoimentos, nem qualquer comprovação de predisposição dos agentes públicos de prejudicar os apelantes. Apelos improvidos. Sentença condenatória mantida, no ponto. 4. Mérito. Receptação qualificada. Exercício de atividade comercial. Sentença absolutória. Apelo ministerial. Os elementos de prova colhidos durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, não permitem a formação de um juízo de certeza em relação à tese acusatória. Assim, frente à carência de subsídios a atestar o efetivo envolvimento do apelado vilmar na conduta delitiva, impõe-se a manutenção da sentença absolutória, em atenção ao princípio do *in dubio pro reo*. Apelo improvido. Sentença absolutória mantida, no ponto. 5. Dosimetria. Recursos ministerial e defensivo. Reformada. No caso concreto, necessária a reforma, com a valoração negativa do vetor circunstâncias do fato em relação aos cinco condenados pelo fato II da denúncia, e com a valoração negativa do vetor culpabilidade em relação ao réu marcos Aurélio. Ainda, necessário afastar de ofício a incidência da agravante da reincidência em relação aos réus marcos Aurélio e juliano, pois não preenchidos os requisitos do art. 63 do CP. Penas privativas de liberdade readequadas, sendo mantidas as substituições por duas penas restritivas de direito, além da pena de multa, conforme fixado na sentença recorrida. Apelo defensivo improvido. Apelo ministerial provido em parte. Apelações defensivas não providas. Apelação ministerial parcialmente provida. (TJRS; APL 0429753-73.2013.8.21.7000; Proc 70057051260; São Borja; Oitava Câmara Criminal; Rel. Des. Felipe Keunecke de Oliveira; Julg. {DATA_JULGAMENTO}; DJERS {DATA_PUBLICACAO})